Projeto Ave Missões: Pesquisa, Educação Ambiental e Conservação com Aves da Região Noroeste do Rio Grande do Sul

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Matão: um oásis no deserto



Gralha-picaça no Matão.
* Por Dante Andres Meller

As previsões não eram boas para o dia, mas como um oásis no deserto, o Matão nos trouxe, igualmente, vida alada e tempo bom.

Com seus quase 300 hectares o Matão é um refúgio para diversas espécies florestais, algumas pouco encontradas na região.

Além do bom tamanho do fragmento, existe no local uma Tenda, onde os donos nos acolhem com muita hospitalidade, servindo-nos com alimentos coloniais e campeiros de dar água na boca...

Navegue pelo fragmento do Matão em Campo Novo:

Mesmo antes de clarear, o dia já começava para os seis participantes que se aventurariam na passarinhada - dois deles pela primeira vez em uma saída organizada pelo Grupo Ave Missões. Logo após um café colonial daqueles, saímos Matão adentro e já de cara topamos com a passarada que estava muito ativa no dia. Uns dos primeiros a aparecer foi o tiê-de-topete.

Foto: Ingrid Sessegolo.

Tiê-de-topete fotografado no Matão.

Em um dado momento da trilha topamos com um bando misto de pássaros de copas de árvores. O interessante é que estavam em uma área aberta, predominada por capoeiras e árvores baixas. Nessas arboretas, muitos destes pássaros procuravam seu alimento, nos dando boas oportunidades para vê-los e até algumas fotos fazermos.

Guaracava-cinzenta (Myiopagis caniceps) fotografada no Matão. Foto: Pedro Sessegolo.

Espécie de piolhinho-verdoso (Phillomyias virescens) fotografado no Matão.

Mais adiante na trilha repentinamente um vulto atravessou o chão do nosso caminho. Era um inambuguaçu! Havíamos adentrado o território deles. Cantavam forte, mas avistá-los não é fácil e a única memória fotográfica foi a daquele primeiro momento.

Inambuguaçu (Crypturellus obsoletus) fotografado no Matão.

Perto do meio-dia voltamos para a Tenda, onde nos esperava uma feijoada bem ao estilo campeiro. Curiosamente as gralhas-picaça também estavam por lá, se alimentando de farelos no comedouro que o Sr. Bones mantém no local.

Feijoada bem ao estilo campeiro preparada na Tenda do Matão. Foto: Ingrid Sessegolo.

Gralhas-picaça se alimentando no comedouro na Tenda do Matão em Campo Novo.

De barriga cheia resolvemos partir conhecer o outro lado do Matão, e tínhamos que atravessar a estrada para isso. Lá encontramos uma borboleta muito bonita que havia sido atropelada e fizemos algumas fotos dela numa rara oportunidade em que mostra a beleza quando de asas abertas.

Borboleta Eryphanis reevesii no Matão. Foto: Dante Meller.

Já do outro lado do Matão o tempo começou a abrir e aquele céu cinzento e a ameaça da chuva já não eram mais realidade em nosso dia. Topamos com uma enorme figueira ao lado do mato e sob sua imponente sombra aproveitamos para descansar um pouco. Mas como descanso de observador de aves dura só até uma aparecer, fomos despertados por um beija-flor-dourado que brilhava junto ao sol.

Grupo Ave Missões. Foto: Daniel Sessegolo.

Beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura). Foto: Pedro Sessegolo.

Acabamos retornando para a Tenda do Matão, pois neste lado do mato não existem trilhas, o que limita nossas observações apenas à borda do mato. Foi uma oportunidade para observar alguns rapinantes, ainda mais pela hora pós meio-dia e o tempo ensolarado, mas nada de interessante além de um gavião-carijó apareceu.

Após tomarmos uma guarapá (caldo de cana) na Tenda, retornamos para as trilhas do Matão e novamente encontramos bandos mistos, onde um gritador comandava a passarada com seus altos "gritos".


Gritador (Sirystes sibilator) no Matão. Foto: Ingrid Sessegolo.

Mais adiante, enquanto algumas saíras-de-papo-preto nos chamavam a atenção, repentinamente algo diferente apareceu, era um bico-virado-carijó, o que resultou em lifer para a maioria dos observadores.

Saíra-de-papo-preto (Hemithraupis guira).

Bico-virado-carijó (Xenops rutilans). Foto: Pedro Sessegolo.

A passarinhada caminhava-se pro fim, com aproximadamente 60 espécies observadas. Além das mencionadas acima e de outras mais comuns, também destacaram-se registros do tiê-do-mato-grosso, beija-flor-de-topete, maitaca-bronzeada, tiriba-de-testa-vermelha, benedito-de-testa-amarela, tovaca-campainha, pica-pau-de-banda-branca, cabecinha-castanha, andorinhão-de-sobre-cinzento, tico-tico-da-taquara e figuinha-de-rabo-castanho. Duas espécies não foram confirmadas, mas uma foi ouvida logo na chegada, o bandeirinha, e outra vista de relance, o anambé-branco-de-bochecha-parda.

Mais um dia de observação de aves chegou ao fim, mas as sensações em meio à natureza perduram, e nos dizem o quanto vale a pena vivenciar dias de oásis em meio a desertos!

Foto: Ingrid Sessegolo.

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Veja também:

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8 comentários:

  1. Este lugar deve ser mesmo incrível , com essa diversidade...As Gralhas picaças estão lindas na foto !!!Parabéns ao grupo Aves Missões pelos registros !!!
    Lucas Nenes

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  2. Bela descrição do passeio Dante. parabens. Pedro Sessegolo

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  3. É... perdi essa né Dante? Bela postagem !!

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    1. Sentimos falta de vocês, mas teremos outras... Abraço!

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  4. Muito legal Dante. Parabéns. Saudade desse grupo.

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